8.8.02

Pressão de bancos americanos levou EUA a apoiarem empréstimo de US$ 30 bi do FMI ao Brasil
08/08/2002 - 14h11
São Paulo


O governo George W. Bush mudou de opinião e aprovou o empréstimo para socorrer o Brasil, porque "cedeu à crescente pressão dos bancos americanos," disse na edição de hoje, na Internet, o jornal "The Wall Street Journal". Os bancos argumentaram que "um calote brasileiro devastaria as economias latino-americanas e teria repercussões nos Estados Unidos".
Em editorial de hoje, o mesmo "Wall Street Journal" condena o empréstimo de emergência _que atribui ao "consenso Wall Street-Washington"_ e diz que "o Brasil é responsável pela maior parte de seus problemas". O editorial do jornal _um dos mais conservadores dos Estados Unidos, considerado a Bíblia do capitalismo americano_ lembra que o Brasil desvalorizou o real, em 98, de forma humilhante, e prejudicou a Argentina, sem tornar as indústrias brasileiras mais competitivas. O editorial tambem critica Armínio Fraga, que, agora, usa dólares das reservas para sustentar o real, "uma estratégia perdedora", "a losing proposition".
O "Wall Street Journal" informa que os depósitos em bancos norte-americanos no fim de março, no Brasil, somavam US$ 26,4 bilhões. Desse total, US$ 11,4 bilhões eram do Citibank e US$ 10,4 bilhões do Fleetboston, que controla o BankBoston.
"O acordo do Brasil", diz o jornal, "é a prova mais significativa até agora de que a administração Bush, que se elegeu argumentando que os grandes empréstimos de emergência simplesmente encorajam investidores dispostos a assumir grandes riscos e governos irresponsáveis, agora recorre a esses emprestimos de emergência como uma das poucas ferramentas disponíveis para lídar com os mercados emergentes", concluiu o jornal americano.


[UOL]

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